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  • Saudades e boas lembranças

    Vó Mariquinha faleceu, triste eu sei, já esperávamos por isso há muito tempo, pena que não tive a chance de revê-la novamente, a alguns meses atrás até escrevi um poema sobre minha cidade natal, e falava da minha avó no poema e da saudade que para mim era estar longe dela, infelizmente não tive a chance de encontra-la, pois antes mesmo que eu pudesse ter condições de ir vê-la aconteceu o triste ocorrido, mais até que me faz bem pensar nela, fico lembrando da minha infância que foi muito feliz, nas vezes que ela junto com a vó Edite vieram me visitar, as historias que ela me contava, a primeira que ela me contou e que eu lembro foi a de Ali baba e os quarenta ladrões, eu nem conhecia essa história, hoje paro e penso como uma senhora analfabeta de quase 80 anos do sertão do Piauí aprendeu essa história, não sabia ler, em sua casa não havia energia elétrica  nunca assistiu televisão, nem tinha livros em sua casa, morava e trabalhava na roça, e viveu assim até sua morte, na certa ouviu alguém contar, mais para uma senhora idosa, sua memória era incrível até que adoeceu, mais não vou entrar em detalhes sobre a doença, o que quero mesmo é falar é de uma história que eu adorava quando ela me contava, era mais ou menos assim:


    Havia uma menina linda que era muito amada pela mãe, todas as noites sua mãe lhe penteava os cabelos, um dia o pai ficou viúvo . A vizinha tanto fez para agradar a criança que ela terminou implorando ao pai que casasse com a bondosa mulher. Desconfiado, o pai advertia a filha: Agora ela te dá mel; mais tarde te dará fel. Mas a menina implorou tanto que o homem aceitou o casamento.
    O pai fazia viagens e deixava a menina entregue à madrasta, que logo botou as unhas de fora. Atrás da casa havia uma figueira, e ela obrigava a menina a tanger os passarinhos, para não picarem os frutos. Se um único figo aparecesse estragado, sobrevinha um castigo terrível. Até que um dia a madrasta resolveu desfazer-se da menina e a matou e enterrou-a num buraco. No lugar cresceu um enorme capinzal e quando um dia o irmão foi cortar o capim e ouviu uma canção:

    Meu irmão,
    não me corte o cabelo
    minha mãe me penteava
    minha madrasta me enterrou
    pelo figo da figueira
    que o passarinho bicou.
    Xô passarinho da figueira de meu pai!

    Numa das raras vezes em que o pai se encontrava em casa e deu pela falta da filha, o irmão pediu que ele escutasse a estranha voz. Cavaram a terra e encontraram a menina muito fraquinha, mas ainda viva. O homem puniu a esposa cruel amarrando ela em um cavalo e tocando fogo nas partes intimas do pobre animal, dizem que o cavalo está correndo até hoje.

    Eu amava essa história, acho ela meio macabra, como a garota morre e depois volta viva, e canta embaixo da terra, têm também a violência contra a mulher e a crueldade com os animais, mais foi assim que cresci ouvindo essas histórias doidas da minha avó, isso não definiu meu caráter e não me tornou uma pessoa violenta, só me traz maravilhosas lembranças e recordações dos  poucos momentos que tive com minha avó, já faz uns dois meses que ela faleceu, não tenho muitos arrependimentos na minha vida, mais um dos poucos é de não ter ido vê-la quando tive a oportunidade, a última vez que a vi eu tinha uns 13 ou 14 anos, hoje estou com 24 anos, agora convivo com a dor da perda, mais estou feliz porque agora ela já não sofre mais, pois era triste saber que ela sentia dor, tento remediar a dor escrevendo em sua homenagem, mais claro que mesmo que eu escrevesse um livro sobre ela não diminuiria a culpa e dor que sinto, “Desculpe vó Mariquinha”
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