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30 junho 2014

O meu estuprador...

"Josielma Ramos"

O meu estuprador talvez seja aquele senhor que faz bicos de pedreiro nas casas dos vizinhos, aquele que meu pai contratou para reformar uma parede lá de casa, ele me tocou quando eu tinha oito anos, apenas tocou com aqueles dedos imundos, será que isso é estupro? Eu não queria que ele me tocasse, eu não sabia o que ele estava fazendo, e fiquei com medo de contar para minha mãe.
O meu estuprador talvez seja o meu vizinho, o marido da melhor amiga da minha mãe, aos doze anos eu cuidava do bebê deles durante o dia, e o marido dela chegava primeiro, quando eu ia levar o bebê no momento da troca de colo ele tocava meus seios, eu não dizia nada, apenas ia embora correndo, todos os dias durante um tempo, até que disse para minha mãe que não tinha mais paciência para cuidar do bebê, será que se eu contasse para minha mãe ela acreditaria? Eu nunca saberia, pois tinha medo de contar.
O meu estuprador talvez seja o rapaz com quem perdi minha virgindade, eu disse não e mesmo assim ele me forçou, namorei com ele, porque cresci com minha mãe dizendo que nunca arrumaria um marido não sendo virgem, “Que homem vai te querer se você já foi de outro” dizia ela, e me forcei a um relacionamento longo na esperança de um dia me casar com ele, porque se ele terminasse comigo com certeza nenhum outro iria me querer.
O meu estuprador talvez seja o cara que passa e buzina toda vez que faço caminhada, ou o que me chama de gostosa quando passa por mim na rua, ou o que me beijou a força em uma festa, ou talvez o que me encochou dentro do ônibus, o meu e o de tantas meninas que nem se descobriram ainda, talvez não tenham onde se apoiar, talvez viverão o resto de suas vidas com medo e se escondendo, com medo de qualquer sombra que passe por elas, irão olhar todos os rostos, em busca de nunca mais encontrar o seu estuprador.
Não eles nunca serão os “Meus” estupradores, são apenas homens que tentaram me resumir a nada e que não tiveram sucesso nisso, sou mulher, sou forte, sou única, ninguém me faz mal se eu não permitir, ninguém me faz ser menos do que sou se eu não deixar e nunca deixarei.

08 junho 2014

Colocar a chaleira no fogo

"Josielma Ramos"

Era uma manhã de setembro, olhei pela janela e a chuva caia preguiçosamente, calcei meus chinelos e andei lentamente até o fogão, coloquei a chaleira no fogo e esperei a água esquentar enquanto continuava a olhar pela janela, de repente ouvi uma batida em minha porta, o que era estranho já que sempre consigo ver da janela quando alguém passa, e naquele momento ninguém havia passado, mesmo assim fui em direção à porta e a abri, para minha surpresa e total espanto não havia ninguém lá, apenas um gato pardo e gordo, nunca fui muito fã de gatos, então fechei a porta depois de dar mais uma olhada em cada direção e me certificar que não havia mesmo ninguém por ali, malditas crianças, é com certeza deviam ser as crianças dos vizinhos tentando me pregar uma peça.
A chaleira apitou, corri até o fogão e a peguei, preparei as minhas ervas dentro da minha xicara favorita e preparei o meu chá, nos poucos instantes antes de levar a xicara a boca alguém batia na porta novamente, larguei meu chá em cima da mesa e fui até a porta, mais novamente não havia ninguém lá, teria que ter uma séria conversa com os pais daquelas crianças, enquanto eu olhava para os dois lados da viela o gato pardo e gordo que ainda estava na minha porta, entrou correndo para dentro da minha casa passando por debaixo das minhas pernas, sentou-se na minha cadeira e ficou a me encarar, que gato mais doido eu pensei.
_Sai, passa, xó_ Eu disse com a porta aberta apontando para a rua, esperando ele sair, ele apenas continuou a me encarar com aqueles olhos vermelhos assustadores.
_Vamos, vai embora, eu não gosto de gatos, nada contra você, só que eu prefiro cães_ Eu disse para o gato, eu devia estar a beira da loucura pois podia jurar que ele me olhou de uma maneira não muito comum em gatos e também por estar falando com um gato, depois de um momento percebi que ele não iria sair, então desisti de o expulsar não sei bem o porque, simplesmente fechei a porta, peguei minha xicara de chá e me sentei na cadeira do outro lado da mesa, ele me encarando e eu encarando ele, em nenhum momento o bichano miou ou desviou o olhar, ele ficou lá na minha cadeira apenas parado me olhando com aqueles profundos olhos vermelhos de aparência maligna.
_O que você está olhando? Deve achar que eu sou doido por falar com você né? Pois saiba que não sou_ Mais ao mesmo tempo eu falava para mim mesmo, se não sou doido porque deixei ele ficar e ainda continuo falando com ele?
Esse gato era muito estranho, será que ele sentia fome, talvez fosse isso, fui até minha geladeira e enchi um pires de leite, coloquei no pé da cadeira, ele desceu, bebeu e assim que terminou lambeu os bigodes, voltou a subir na cadeira e a me encarar.
_Só pode ser brincadeira né, seu gato doido, muito bem está na hora de ir embora_ Fui até a porta e a abri, e para minha surpresa o gato se levantou e saiu, simples assim foi embora, agora eu estava livre dele, pelo resto do dia nenhuma batida na porta e nem vi mais aquele gato.
Na noite daquele mesmo dia de setembro sai para jantar com alguns amigos, bebemos um pouco, nos divertimos, ouvimos música em um barzinho e depois fomos para casa, cada um para a sua, viro esquina, entra esquina e quando entro na viela onde fica minha casa, quem cruza meu caminho? O maldito gato pardo e gordo, bem que minha mãe sempre dizia para nunca alimentar animais, senão eles nunca mais te deixam em paz, eu continuei caminhando em direção a minha casa e o gato continuou lá, bem no meio da viela me encarando enquanto eu me aproximava, quanto cheguei perto do gato, ele não me deixou passar, começou a caminhar de costas sem tirar os olhos de mim, será que estou mesmo louco eu pensei, um gato andando de costas, ele andava lentamente, fantasmagoricamente, só posso estar louco mesmo, resolvi ignorar aquele gato, passei sem olhar para ele, corri até a minha porta, peguei a chave e abri, entrei respirando fundo, estava a salvo daquele gato doido, estava cansado então me preparei para ir dormir, depois que me joguei na cama, droga sonhei com o maldito gato, só pode ser brincadeira, aqueles olhos, aqueles malditos olhos vermelhos, me encarando, me engolindo, me consumindo, acordei pingando de suor, senti algo escorrendo do meu nariz, era sangue, levantei e fui até o banheiro.
_Droga, mais que susto_ O maldito gato estava sentado em cima do vaso sanitário_ Como você entrou aqui? Por que fica me encarando? Está me julgando? Julgando meus pecados? Não é minha culpa se Lílian morreu daquela maneira, é verdade que se eu realmente quisesse se realmente tivesse tentado eu a teria salvo, mais não pude fazer isso, estava com raiva, ela havia me traído, estava apaixonada por outro, isso eu não podia aceitar, ela era minha, o amor da minha vida, havíamos feito promessas, promessas que não se quebram assim da noite para o dia, sim eu a deixei morrer.
Era isso que aquele gato tanto julgava com aqueles imensos olhos vermelhos demoníacos, no fundo pareciam um pouco, sim pareciam com os olhos de Lílian, mais não podia ser, ela devia ter voltado para me buscar, eu já sabia o que ela queria.

Aquela noite era fria, mais mesmo assim caminhei para o ponto de John, descalço e sem agasalho, o mesmo lugar onde eu havia permitido sua morte prematura, no mesmo lugar em que permiti que suas lembranças caíssem no esquecimento, o mesmo lugar em que minha doce Lílian teve seu fim, mais a verdade é que o fantasma de sua presença era constante até no perfume do meu travesseiro, foi com essa lembrança de seus longos cachos negros, de seus lindos olhos castanhos, de sua pele branca e do perfume, ah aquele perfume no meu travesseiro, foi com todas essas lembranças que me deixei cair pelo ponto de Jonh, um lugar de encontros românticos as escuras e de separações, e agora talvez de um reencontro de amores perdidos, de almas perdidas.

24 maio 2014

Os olhos de Elisa


"Josielma Ramos"

Havia algo que me hipnotizava nos olhos da minha vizinha, às vezes ela passava com suas amigas, vindo do colégio e eu apenas ficava a olhando, simplesmente não conseguia desviar o olhar, apenas quando o olhar de Elisa cruzava com o meu, era que eu despertava do meu transe e ficava totalmente envergonhado por ficar a olhando tão descaradamente, era sempre a mesma rotina, ela passava, vindo do colégio e eu moleque que era estava sempre sentado no muro de casa empinando pipa, mais quando ela passava meu mundo parava, eu não conseguia pensar mais em nada só nos olhos de Elisa.
Certo dia minha prima Anita enviou um convite de aniversário, eu não queria ir, mais quando cheguei à casa de Anita agradeci por minha mãe ter me obrigado a ir, Elisa era amiga de Anita e estava lá, eu ficava hipnotizado olhando ela dançar com suas amigas, eu não parava de olhá-la, para não ficar muito constrangedor decidi ir para a varanda da casa e ficar por lá até a hora de cortar o bolo, de repente ouvi uma voz falando comigo:
Você é primo da Anita?
Era ela, Elisa estava falando comigo pela primeira vez, aqueles olhos... Não consegui formular nenhuma palavra para responder a ela, então fiquei calado e apenas balancei a cabeça em sentido afirmativo.
Sempre te vejo me olhando, você tem algum problema comigo?
Balancei a cabeça em sentido negativo.
O gato comeu sua língua?
Desculpe é que não consigo parar de te olhar, você tem olhos lindos sabia?
Ah, obrigada  Disse Elisa meio sem graça com o elogio inesperado.
Desculpe se te constrangi Respondi envergonhado de ter abrido minha boca.
Não estou constrangida, só não esperava que elogiasse meus olhos, nunca é a primeira coisa que me dizem, é sempre “você é uma garota bonita”, mais fiquei feliz com seu elogio, obrigada.
Eu não consegui dizer mais nada, os olhos dela me hipnotizavam, me consumiam, eram enormes como os olhos de um gato e tão azuis como um oceano profundo, pareciam querer me afogar, ah se eu pudesse me afogar neles, beber de suas águas salgadas, nadar até o infinito dos olhos de Elisa, ela estava ali na minha frente, bastava que eu pulasse para mergulhar neles, mas enquanto ainda pensava se pulava ou não Anita chegou e nos puxou para dentro de casa para cantar parabéns.
Elisa acabou se mudando de nosso bairro, seus pais se divorciaram e ela foi morar com sua mãe em outra cidade, o pai continuou lá morando mesma casa sempre sozinho, Elisa nem vinha mais visita-lo, eu ouvi dizer que ele não aceitava as visitas dela, mas se é verdade ou não eu nunca soube, a única coisa que sei era que eu sentia falta de olhar nos olhos de Elisa, suas amigas ainda passavam vindo da escola e eu continuava ali em cima do muro empinando minhas pipas, mais meu olhar já não cruzava com o dela.
Anos se passaram, mas eu sempre me lembrava daquele olhar em que eu me afogaria se tivesse tido a oportunidade. Um dia cruzando a rua do terminal rodoviário uma garotinha estava correndo, devia estar com seus oito ou nove anos de idade, ela caiu bem aos meus pés e eu me abaixei para ajudar a se levantar.
—Obrigada moço Respondeu a garotinha.
Fiquei sem palavras quando aquela garota me olhou, seus olhos eram enormes e azuis, sim azuis como os de Elisa, pensando bem a garotinha me lembrava de Elisa, fiquei paralisado e confuso, quando uma mulher correu em nossa direção.
—Sophie querida, você está bem, já disse para não ficar correndo por ai, obrigada senhor—A mulher me disse sorrindo.
Eu não pude acreditar no que via, era Elisa, depois de todos aqueles anos sem ver aqueles olhos, os olhos com que eu sonhava toda noite, os olhos que eu desejava loucamente mergulhar.
—Elisa?
—Desculpe, nós nos conhecemos?
—Sim, mas isso foi há muito tempo, sou Antônio, primo da Anita.
—Eu me lembro de você, nossa faz muito tempo mesmo, Antônio essa é minha filha Sophie você tem filhos?
—Não, apesar de gostar muito de crianças, infelizmente nunca me casei, não encontrei o amor da minha vida.
—Entendo, eu pelo contrário encontrei o amor da minha vida, ou ao menos era isso o que eu imaginava, acabou não dando certo, mas me deixou um presente maravilhosoEla respondeu abraçando a filha.
—Sinto muito que não tenha dado certo, mas confesso que fico feliz de ouvir isso.
—Ah é mesmo? E por quê?
—Porque senão eu não poderia te convidar para tomar café comigo.
—Agora eu não posso, mas vou adorar colocar a conversa em dia, não nos vemos há tanto tempo.
Trocamos números de telefone naquele dia, eu não acreditava na sorte que eu tinha, quase 20 anos sem ver aqueles olhos, parecia que o destino nos queria juntos, no dia seguinte liguei para Elisa que aceitou meu convite para jantar, fomos a um restaurante italiano a algumas quadras do meu apartamento, conversamos sobre a nossa época de criança, lembramo-nos do aniversário de Anita em que conversamos pela primeira vez, ela não quis falar sobre o divórcio de seus pais, era um assunto que ainda a magoava e mais ainda por sua filha estar passando pela mesma situação. No fim da noite me ofereci para leva-la de volta para casa, mas não me lembro bem como e porque fomos parar no meu apartamento, minhas vagas lembranças são de que bebemos muito e ela acabou me beijando no meu sofá.
Acordei na manhã seguinte nu na minha cama, estava com uma ressaca terrível e uma imensa dor de cabeça, não lembrava quase nada da noite anterior, mas me lembrava de Elisa e de termos nos beijado, não me sentia mais tão obcecado por seus olhos, talvez eu quisesse tanto estar com ela que me apeguei à paz que sentia olhando em seus olhos, mas agora que a tinha por perto talvez tudo mudasse, talvez ficássemos juntos e eu poderia olhar para aqueles olhos todas as manhãs, teria dois pares de olhos azuis profundos para olhar, os de Elisa e os de Sophie.
Virei-me na cama e senti algo, o contorno de um corpo entre os lençóis, puxei-os um pouco e vi as belas pernas nuas de Elisa por baixo dos lençóis, ela ainda estava ali dormindo, então não tinha sido um sonho, me permiti um sorriso de felicidade, não queria acorda-la, então levantei e fui até minha cômoda procurar uma roupa e antes mesmo de abrir a gaveta fiquei curioso pelo fato do porta-joias da minha mãe estar ali, eu sempre o guardava no cofre em meu escritório, eu poderia simplesmente ter pego a pequena caixa e a guardado na minha gaveta, mas a curiosidade me fez a abrir, entrei em choque e o porta-joias caiu de minha mão deixando rolar um par perfeito de olhos azuis profundos, corri até a cama e olhei no rosto de Elisa, não havia mais azul, não havia mais oceano, apenas duas orbitas vazias, ela não dormia, estava morta.

22 fevereiro 2014

1º Encontro Poético do Ano

Retomamos os encontros e saraus do Movimento Poético Parnaíbano, hoje foi o primeiro sarau do ano e devo dizer que foi maravilhoso estar ao lado de pessoas tão talentosas, tivemos uma tarde boêmia ao som de um violão e muita poesia, tivemos também gente nova no grupo, realmente é muito bom conhecer novos poetas.
Os encontros acontecerão todos os últimos sábados do mês, das 15hrs ás 17hrs na Rua Portugal, 60 no Jardim São Luís em Santana de Parnaíba, os saraus são abertos ao público.
Aqui algumas fotos do encontro desde sábado para vocês


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É isso ai galera, espero que tenham gostado das fotos e espero vocês no próximo sarau, até logo!

É hoje!


03 setembro 2013

A menina

"Josielma Ramos"


Menina fugiu!
Com medo de tudo, como medo daquele mundo, sem querer nada daquilo, sim ela fugiu! Pra não lavar louça, pra não lavar roupa, com medo de limpar a casa.
Queria ser mais que aquilo, e sempre dizia:
_Não nasci para isso, eu vou ser estrela, vou pra cidade grande, vou ser artista, quero ver meu nome brilhar.
Riam da menina, que cansada daquela situação, tomou uma decisão:
_Meu destino não é aqui, essa noite eu vou fugir.
Esperando todos dormirem, silenciosamente foi pegando tudo que achava que precisaria poucas roupas, o dinheiro que vinha guardando:
_Não vou levar meu celular.
Encheu a mochila e junto colocou o porta-retrato com a foto de seus pais, desceu devagarzinho cada degrau sem fazer nenhum barulho.
Assim que saiu pela porta, respirou o ar da madrugada, cheirava a tão esperada liberdade, ela sorria e chorava:
_agora não tem mais volta, vou atrás dos meus sonhos.
Dormiu no banco frio da rodoviária, esperando amanhecer, pensando:
_Logo cedo pego o primeiro ônibus que vai pra São Paulo.
Amanheceu e a menina acordou com o barulho do movimento do povo e a fumaça do ônibus em seu rosto, sua barriga roncou:
_Que fome! Mais ainda não posso gastar nenhum centavo, tenho que economizar pra quando chegar lá.
Arrependida de não ter passado na cozinha antes de fugir, ela foi sorrindo comprar a passagem para a sua liberdade, tinha apenas R$600,00 reais no bolso e a passagem custava R$350,00 pois São Paulo estava a dois dias de viagem.
Entrou no ônibus e pra sua surpresa um rapaz muito lindo sentou ao seu lado, estava bem vestido, ele sorriu pra ela que sentiu o rosto corar:
_Devo estar igual um pimentão, que vergonha_ Ela pensou.
Nos dois dias de viagem o rapaz se aproximou, ficaram amigos, ele foi doce e gentil, explicou que morava em Sampa e tinha ido viajar com uns amigos, mais teve que voltar mais cedo e não tinha conseguido passagem de avião em cima da hora:
_Ainda bem por que assim pude conhecer você_ Ele falou pra ela, que sentiu o rosto corar mais uma vez.
Ela nunca teve contato assim com nenhum outro rapaz, logo percebeu que estava encantada por ele:
_Será isso que chamam amor a primeira vista? Acho que estou amando.
Ao fim do segundo dia de viagem, ele a beijou, era o primeiro beijo dela:
_Ele sente o mesmo que eu_ Ela sorriu.
Ele entregou seu número de telefone pra ela, e disse que podia ligar quando quisesse, ela guardou o número no bolso da jaqueta, o papel bem dobradinho, e se colocou a caminhar, após o beijo de despedida.
_E agora pra onde eu vou?
Na presa de fugir de casa pra ser famosa não pensou bem por onde começaria, tinha gasto um pouco do dinheiro na parada da viagem, pois não havia como ficar dois dias sem comer, e agora só lhe restava R$190, 00 reais, não conhecia ninguém e estava só, pra onde ir, procurou uma Pensão, pagou por uma noite o que praticamente lhe custou mais da metade do que lhe tinha sobrado, mais era bom, pelo menos por uma noite teria uma cama pra dormir e um chuveiro quente, no dia seguinte daria um jeito de mudar sua vida para sempre.
Na manhã seguinte, acordou cedo tomou um banho, escovou os cabelos, vestiu a melhor roupa que havia trazido na mochila, ela sabia que era bonita, e conseguia tudo o que queria sempre, dessa vez não seria diferente.
Ao sair na rua percebendo que não tinha idéia de pra onde ir e sem dinheiro o suficiente para mais uma noite na pensão, decidiu usar o número que o rapaz lhe dado, ele atendeu o telefone e parecia feliz ao perceber que era ela, depois de lhe explicar tudo o que havia lhe acontecido ele disse:
_Na rua você não fica, vem pra minha casa, onde você está? Vou lhe buscar!
Ela feliz que agora teria ajuda de alguém, informou o local, duas horas depois ele apareceu no carro mais lindo que ela já tinha visto, entrou sorrindo e ele lhe disse:
_Você está linda.
Ela agradeceu com um beijo, ele a levou para sua casa, a menina ficou maravilhada, nunca havia visto uma casa tão linda e tão grande em sua vida, só na televisão.
_Uau! Cabe cinco casas ai dentro_ Ela disse fazendo ele rir.
Ao chegar na entrada o rapaz pegou a mochila dela e disse que mostraria o quarto onde poderia ficar, ela perguntou se seus pais não se importaria de a receber como hospede, mais ele disse que estavam viajando, e que antes deles voltarem lhe arranjaria um lugar para morar, mostrou o quarto e uma empregada chegou alguns minutos depois com uma bandeja muito bem feita de lanches e frutas.
A menina maravilhada com o lugar, tinha piscina, quadra de tênis, era um sonho , era a vida que ela queria, o que ela merecia, o lugar onde sempre deveria estar, mas o que ela não sabia é que a noite o rapaz receberia seus amigos, assim sendo quando a noite chegou os dois estavam sozinhos na sala, ele a beijou, ela sorriu, ele começou a despi-la, de inicio ela se recusou, mais aos poucos foi cedendo, ele falava palavras doces, tão lindas.
_Ele me ama_ Ela pensava
Foi se sentindo mais a vontade, se tinha que ter a sua primeira vez, por que não com a pessoa por quem estava apaixonada, deslumbrada.
Já estava totalmente despida, ele a beijava e a tocava, se sentia descontrolada, sentia um arrepio intenso com o corpo dele contra o seu, até que o sentiu entrando com violência, ela gemeu alto sentindo a dor que aos poucos foi ficando mais e mais gostosa, ela estava em êxtase, até que sentiu o corpo todo dele estremecer, depois ele se deitou ao seu lado a beijando, após alguns minutos ela subiu para tomar um banho, se vestiu, estava radiante, se sentia mulher, sabia que aquele era o homem da sua vida.
A campainha tocou no andar de baixo, ela ouviu vozes e em seguida passos em direção ao seu quarto, o rapaz entrou acompanhado de mais dois rapazes, ele os apresentou como seus melhores amigos, ela sorriu tentando ser simpática e se apresentou educadamente, logo após ele disse:
_São meus amigos deste criança, sempre dividimos tudo, e dessa vez não será diferente_ Ele disse enfiando a mão por dentro do decote de sua blusa, ela puxou a mão dele pedindo para parar.
_O que você está fazendo?
_Partilhando_ Ele respondeu e os amigos riram.
Eles se aproximaram dela, que tentou correr, mais foi inútil, pois tropeçou no tapete e caiu, arrancaram suas roupas, seguraram seus braços, ela tentou lutar, fechar as pernas, mais era impossível, três contra uma, mais fortes que ela, tentou chutá-los, morde-los, mais a seguraram, colocaram-na na cama, amarraram seus braços e pernas, e um de cada vez a abusou, de todas as formas inimagináveis e vulgares, ela chorava pedindo para que parassem, bateram nela, diziam coisas terríveis a chamaram de prostituta, depois de um tempo não tinha mais forças para lutar, não adiantava, por mais que tentasse só se machucava mais, já sentia algo morrendo dentro de si, quando terminaram, desamarram ela, que nem se moveu, o rapaz tão lindo, com aquela cara de anjo, por quem estava apaixonada, lhe olhou com certo desprezo e nojo e disse:
_Pega suas coisa e some daqui vadia, pensou mesmo que eu ia me apaixonar por você?_ Disse cuspindo na cara dela e saiu com os amigos atrás rindo.
Ela tirou forças de onde não tinha para se levantar, pois seu corpo todo doía, pegou sua mochila que estava jogada no canto, vestiu a primeira coisa que encontrou dentro dela mais se esqueceu dos sapatos, queria sair o mais rápido daquela casa, tentou sair sem ser vista, desceu as escadas, eles estavam jogando vídeo game como se nada tivesse acontecido.
Ela não sabia mais o que pensar o que tinha feito para merecer aquilo, que Deus cruel faria isso, tudo que ela queria apenas era ser rica, famosa e feliz, e tudo que tinha conseguido foi a humilhação, desprezo e violação de seu corpo, sentia vontade de morrer, saiu o mais rápido que seu corpo dolorido lhe permitia, sem rumo andou por algumas horas, seus pés estavam em carne viva, mais ela nem sentia mais a dor, pois perder a alma doía mais, havia sido enganada, sua felicidade, seus sonhos, seus planos haviam se esvaído como fumaça entre os dedos, seu mundo estava morto.
Não podia voltar para casa, pois estava sem dinheiro, e não podia ligar para os pais, pois o que diria a eles? Se voltasse todos iriam rir dela, iam chamá-la de tola, burra, que gente pobre não deveria sonhar,pois foi isso que ouviu a vida inteira, pois foi isso que a tinha obrigado a fugir, provar que podia sonhar sim, mais e agora? Tudo que sonhar lhe causou foi a sua perdição, chegou a uma ponte e lá se debruçou olhando as águas calmas que corriam lá embaixo:
_Queria que minha alma estivesse calma como essas águas!_ Ela pensou antes de subir na barra de proteção e pular.
Na manhã seguinte quando seu corpo foi achado, ela havia virado noticia em todos os jornais e na televisão, tinha conseguido em fim sua tão sonhada fama.

Meu primeiro Vlog | Treino da fé | Corrida de rua

Na sexta-feria santa rolou o treino da fé que é uma corrida de rua que vai de Perus até Pirapora do bom Jesus, como eu sou a pessoa mais at...