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01 outubro 2014

Cacau e sua família declamando o poema Saudades no lançamento do meu livro.

Sábado foi lançamento do meu livro "Visões Poéticas", e posso dizer que o meu poema favorito é o primeiro do livro, onde falo da terra que nasci, no poema Saudades, para minha surpresa no dia do lançamento Cacau um ator Parnaíbano junto com seus filhos declamou meu poema, o que emocionou minha família que estava presente e fez minha irmã e minha mãe chorarem (eu também chorei, mais ó é segredo, rsrs) minha irmã mais nova gravou esse momento tão lindo e aqui vou deixar um pedacinho do que aconteceu no evento de lançamento para vocês.
Link do poema>>>Saudades


11 março 2013

Saudades e boas lembranças

Vó Mariquinha faleceu, triste eu sei, já esperávamos por isso há muito tempo, pena que não tive a chance de revê-la novamente, a alguns meses atrás até escrevi um poema sobre minha cidade natal, e falava da minha avó no poema e da saudade que para mim era estar longe dela, infelizmente não tive a chance de encontra-la, pois antes mesmo que eu pudesse ter condições de ir vê-la aconteceu o triste ocorrido, mais até que me faz bem pensar nela, fico lembrando da minha infância que foi muito feliz, nas vezes que ela junto com a vó Edite vieram me visitar, as historias que ela me contava, a primeira que ela me contou e que eu lembro foi a de Ali baba e os quarenta ladrões, eu nem conhecia essa história, hoje paro e penso como uma senhora analfabeta de quase 80 anos do sertão do Piauí aprendeu essa história, não sabia ler, em sua casa não havia energia elétrica  nunca assistiu televisão, nem tinha livros em sua casa, morava e trabalhava na roça, e viveu assim até sua morte, na certa ouviu alguém contar, mais para uma senhora idosa, sua memória era incrível até que adoeceu, mais não vou entrar em detalhes sobre a doença, o que quero mesmo é falar é de uma história que eu adorava quando ela me contava, era mais ou menos assim:


Havia uma menina linda que era muito amada pela mãe, todas as noites sua mãe lhe penteava os cabelos, um dia o pai ficou viúvo . A vizinha tanto fez para agradar a criança que ela terminou implorando ao pai que casasse com a bondosa mulher. Desconfiado, o pai advertia a filha: Agora ela te dá mel; mais tarde te dará fel. Mas a menina implorou tanto que o homem aceitou o casamento.
O pai fazia viagens e deixava a menina entregue à madrasta, que logo botou as unhas de fora. Atrás da casa havia uma figueira, e ela obrigava a menina a tanger os passarinhos, para não picarem os frutos. Se um único figo aparecesse estragado, sobrevinha um castigo terrível. Até que um dia a madrasta resolveu desfazer-se da menina e a matou e enterrou-a num buraco. No lugar cresceu um enorme capinzal e quando um dia o irmão foi cortar o capim e ouviu uma canção:

Meu irmão,
não me corte o cabelo
minha mãe me penteava
minha madrasta me enterrou
pelo figo da figueira
que o passarinho bicou.
Xô passarinho da figueira de meu pai!

Numa das raras vezes em que o pai se encontrava em casa e deu pela falta da filha, o irmão pediu que ele escutasse a estranha voz. Cavaram a terra e encontraram a menina muito fraquinha, mas ainda viva. O homem puniu a esposa cruel amarrando ela em um cavalo e tocando fogo nas partes intimas do pobre animal, dizem que o cavalo está correndo até hoje.

Eu amava essa história, acho ela meio macabra, como a garota morre e depois volta viva, e canta embaixo da terra, têm também a violência contra a mulher e a crueldade com os animais, mais foi assim que cresci ouvindo essas histórias doidas da minha avó, isso não definiu meu caráter e não me tornou uma pessoa violenta, só me traz maravilhosas lembranças e recordações dos  poucos momentos que tive com minha avó, já faz uns dois meses que ela faleceu, não tenho muitos arrependimentos na minha vida, mais um dos poucos é de não ter ido vê-la quando tive a oportunidade, a última vez que a vi eu tinha uns 13 ou 14 anos, hoje estou com 24 anos, agora convivo com a dor da perda, mais estou feliz porque agora ela já não sofre mais, pois era triste saber que ela sentia dor, tento remediar a dor escrevendo em sua homenagem, mais claro que mesmo que eu escrevesse um livro sobre ela não diminuiria a culpa e dor que sinto, “Desculpe vó Mariquinha”

23 janeiro 2013

SAUDADES

Escrevi esse poema a mais de quatro meses atrás, antes da minha avó falecer, faz 3 meses que ela se foi e fazia alguns anos que eu não a via, fiquei triste com um vazio e um peso na consciência, por que tive várias chances de ir visita-la se eu realmente quisesse, mais fiquei inventando muitas desculpas talvez fosse por que não queria vê la na situação que ela se encontrava, me lembro dela quando eu era bem pequenina, me contanto várias historias, minha avó era analfabeta mais era um livro humano de historias e poesias, devo um pouco da poeta que sou totalmente a ela, a primeira pessoa a me contar uma historia e me fazer pegar gosto pela leitura, mesmo que ela não soubesse na época que era isso que ela estava fazendo, pra ela só diria uma frase: "SINTO SAUDADES DE VOCÊ"

como eu dizia escrevi esse poema a mais de quatro meses atrás, e não pretendia publica-lo aqui, mais a pedido da minha MÃE, que chorou muito quando eu o li para ela, vou posta-lo:_Espero que fique feliz Mamãe chorona...

Foto: Rosângela Santos
foto tirada pela minha prima, em uma viagem a Simplício Mendes-PI
Árvore de Juá que fica em frente a casa de Dona Aniza, irmã de minha avó.


SAUDADES

"Josielma Ramos"

Simplício Mendes,
Será que um dia voltarei a te ver?
Terra onde nasci,
E onde tão pouco pisei.

Será que ainda subirei em uma arvore de cajá?
No meio do mato
Em seu solo tão árido.

Será que voltarei a ver meu avô e minhas avós?
Os tios que por lá deixei,
Primos desconhecidos.

Será que ainda irei me banhar lá no pinga água?
Não, na seca secou,
E não pinga mais nem uma gota.

Será que ainda verei,
Palmas e árvores de favela,
Tão difíceis de apanhar,
E as galinhas no mato,
E as ovelhas e cabras no pasto seco?

Será que ainda correrei,
Daquela vaca que eu provocava,
Quando tentava chegar perto do bezerro?

Será que ainda verei,
Meu avô matando cabra,
Para a fome matar?
Verei ele lá na roça,
O sustento plantar?

Será que ainda sentirei o cheiro dele?
De cachimbo, pinga, suor e terra.
E da minha avó,
De fogão de barro e lenha.

Ainda verei,
O burrinho empacar na estrada de areia?
E na areia as lagartas verdes,
Lentamente a correr.

Será que ainda verei,
Minha avó doentinha?
Aquela que o médico disse,
Não haver mais cura.

Verei a árvore de juá?
Na frente da casa de Dona Aniza,
Que medo de cobra tinha.
E ficava na cadeira de balanço,
Proseando com vó Edita.

Verei minhas amigas de infância?
Aquelas a quem ensinei amarelinha,
Aquelas que me ensinaram a brincar de roda,
Que comigo corriam entre arbustos no mato,
A roubar os ovinhos dos passarinhos.

Será que ainda verei o centro da cidade?
Onde todo domingo,
Minha avó me levava para tomar sorvete.

Verei os ônibus de viagem,
Levando o povo para outra cidade,
Com aperto e saudade,
Por deixar a terra amada.

Talvez eu vá embora,
E verei olhos que choram,
E mãos acenando,
Dando-me adeus.

Talvez eu volte,
Com saudades no peito,
E uma vontade veloz,
De ali plantar minha vida,
De ali rever minha família.

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