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30 agosto 2014

“Conselhos de Amiga”

A imagem abaixo inspirou Lunna a escrever em 2 horas o texto abaixo, já postei alguns dos maravilhosos poemas dela aqui, e confesso que fiquei admirada com a beleza e perfeição desse texto, ainda mais por Frida ser uma das personagens.


Autora: Lunna Marcela A. Campos


A noite caia como um véu estrelado tornando o pequeno vilarejo um pouco menos miserável. A mulher que caminhava com certa dificuldade se esgueirava pelos cantos das paredes da casa ora nelas se apoiando levemente, ora se recostando nelas. Ela olhou a sua volta e voltou a caminhar assim que avistou uma placa esculpida em madeira sob um lampião a óleo e um moço atarracado o acabava de acender-lhe as chamas. Assim que chegou de fronte a porta rústica e esburacada olhou mais uma vez a placa acima de sua cabeça confirmando; Estalagem “Viveram Felizes Para Sempre”, um leve sorriso escarnecedor cingiu a boca rispidamente enquanto ela adentra porta a dentro arrumando o xale vermelho sobre seus ombros.

O interior da local estava escuro e levou alguns segundos para que ela acostumasse seus olhos e pudesse identificar suas amigas numa grande mesa posta em um canto discreto. Caminhando lentamente ela finalmente esta frente a frente aquelas que sendo suas amigas lhe enviaram tal convide com as seguintes premissas; Venha ter conosco amiga Frida, todas nós precisamos de você com urgência!. Tinha sido uma longa jornada porém havia chegado e agora estava ali sentada encarando suas amigas com olhar indagador.

- Então? Falou enchendo uma caneca de vinho entregue pelo estalajadeiro assim que ela se sentou - Posso enfim saber qual o motivo de tanta urgência? E assim todas começaram falando ao mesmo tempo e logo a algazarra foi interrompida por Frida, Calma uma de cada vez - Branca de Neve fala você primeiro, por favor, as demais aguardem!

-Frida que bom vê-la bem amiga, olha estou numa situação dificílima, meu pai se casou de novo após a morte de mamãe e agora meu pai também morreu – Branca de Neve olhava aflita para Frida e continuou - Ela é uma mulher belíssima, altiva e muito poderosa e eu a admiro muito, tentei me aproximar dela, ser amiga dela nada adiantou – Branca suspirava - não sei mais como agir para conseguir romper com esta condição lamentável que se instalou entre nós duas – pegando na mão de Frida disse – Me ajuda amiga o que eu faço para me entender com ela? Tenho medo de morrer sem me entender com ela e hoje recebi uma informação sigilosa que corro perigo de vida e minha morte está marcada para esta noite.

As mãos de todas as moças tremiam enquanto levavam os copos de vinho aos lábios e as jarras eram cheias sucessivamente. Frida olhou para Cinderela e fazendo um gesto disse – Fale você agora! – enquanto bebia seu vinho Frida mantinha o cenho franzido e alisava distraidamente as flores em seus cabelos.

- Estou apaixonada por um homem amiga não simples homem, mas um príncipe que conheci na floresta, eu e ele passamos um dia maravilhoso, foi loucura total! – falou baixando os olhos e soltando uma risadinha – Sabe teve magia, química, física e biologia, nos entregamos um ao outro sem pensar em nada nem em ninguém. 

Naquele dia eu havia me arrumado muito bem com o vestido e as jóias ainda me restavam da herança de minha mãe. – Os olhos de Cinderela brilhavam perdidos nas lembranças da tarde de amor – Ele partiu para o castelo e prometeu que mandaria me convidar para um baile onde me apresentaria a seus pais e toda a corte como sua futura esposa – Cinderela agora chorava.

- Não consigo ver onde está o seu problema, Cindy.

- Não? Cheguei a casa aquela noite como sempre fazia, me esgueirando pelos cantos sombrios, mas fui descuidada, pois estava com a cabeça nas nuvens daquela vez, tinha sido tão intenso! - Cinderela se perdia em seus devaneios a todo instante - Enfim amiga fui pega pela minha madrasta que me confiscou meu pequeno tesouro, agora não tenho nada, olhem para mim? – falou Cinderela apontando os pés descalços, os andrajos remendados e sujos de borralhos, os cabelos desgrenhados e as mãos cheias de calo.

Realmente estava uma lástima pensou Frida – porem apenas disse – continue?!

Amiga e não é apenas isso, eu imaginava que desejaria vê-lo novamente e menti para ele, meu nome e todo o resto como sempre faço e nunca antes havia me dado problemas, mas agora eu desejo muito uma chance com meu príncipe encantador e a festa é esta noite.

- Entendi amigas – e erguendo a jarra de barro no ar gritou – mais vinho, por favor! – 
Bebi porque queria afogar minhas mágoas, mas agora as coisas malditas aprenderam a nadar. 

Quando Frida falava estas coisas as moças davam risadas apesar e toda preocupação delas. Frida era muito admirada por todas.

-Vamos Bela Adormecida comece a falar, sou toda atenção, mas peço que não se demorem, pois Diego me espera na entrada da vila, sabem como é nosso tempo juntos é sagrado para mim, dos meus acidentes ele é o meu predileto e mais importante.

Todas sorriram concordando e Bela começou a falar.

- Olha Frida como você deve se recordar hoje é meu aniversário de dezesseis anos e tem aquela maldição que fala que vou dormir o sono eterno e até agora não conheci ninguém para me dar o beijo e me salvar, e olha que procurei pelos quatro cantos deste e de muitos outros reinos. Meu pai e minha mãe estão insuportáveis, querem me manter trancada a quatro chaves no castelo e se eu quero sair tem que ser escondida. Agora me digam como eu poderia conhecer algum amor verdadeiro se nem de casa saia? Eu odeio meu pai e minha mãe e eu estou seriamente desconfiada que eles pretendam é me matar! Amiga acredite em mim.

- Sim acredito em você Bela assim como também acredito nas outras, pois sei que não há nada escondido; se houvesse eu veria. 

- Muito bem, vamos lá! - Serei breve e sucinta prestem bem atenção em minhas palavras; - Tomando mais um gole falou disparou – Branca você vai para o castelo e vá ao encontro de sua madrasta nos aposentos dela, dispa-se diante dela, liberte-se de todo receio e diga-lhe todo amor que sua alma carrega por ela. Fale sem meias palavras ou verdades de seus sentimentos e coma a maça que ela te oferecer sem medo de ser feliz.

- E você Cinderela - olhou para a amiga – também deixe de se auto-afirmar em coisas tão efêmeras como roupas e jóias, por acaso quando você e seu príncipe se amaram você estava vestida ou ele? Eram os dois príncipe e princesa ou homem e mulher? - Vá agora para o castelo e diga tudo ao seu amado e se ele te amar vai lhe amar da mesma forma que antes, se desistir de você é porque não te ama. 

- Bela minha flor, deixe imediatamente esta sua vida parasita e vá agora a casa das mulheres tecelãs aprender a fiar, tenho certeza que isso resolve seu problema imediato, afinal somente uma princesinha mimada iria espetar o dedo em uma fiandeira tão rudimentar.

E levantando-se chamou as amigas agora venham aqui perto – ordem prontamente atendida por todas – Frida pegou uma navalha sobre a mesa e chegou bem perto das amigas.

– Branca assuma sua homossexualidade e seja feliz – falou enquanto passava a navalha sobre os cabelos dela deixando os cabelos de Brancos bem curtinhos.

- Cindy você é livre para viver plenamente sua sexualidade sem necessidade de tentar ser quem você não é – cortou a blusa de cinderela que em trapos caiu ao chão e com um carvão que estava sobre a mesa Frida escreveu na pele da amiga – Meu corpo minhas regras. – Sua melhor roupa Cindy!

- E você Bela, tome para si este livro e leve-o com você e o leia quando for ter com as tecelãs do reino tenho certeza que tanto você quanto elas vão fazer muito bom uso dele.

Bela pegou o livro nas mãos e leu as letras douradas na capa preta do volume, “Maquiavel”

Frida continuou falando; - amigas lembrem-se que eu apenas pinto a mim mesma porque sou o assunto que eu mais conheço, então dediquem o vosso tempo buscado conhecer a si próprias.

Dizendo isso Frida levantou-se e saindo da taverna sumiu na noite escura enquanto as outras três mulheres se despediam e saiam em busca de suas vidas transformadas por aquela mulher.


20 julho 2014

Natureza da mulher

"Lunna Marcela A. Campos"
Se me magoa descarto
Se não posso ser eu
Jamais serei outra
Doce e amarga,
Dura e derretida
Não sou uma boa mistura?
Força e leveza
Concedem-me o dom
Entender sem abaixar
Abraçar sem apertar
Beijar sem compactuar
Permitir somente aquilo que me faz bem
Sou filha do vento
Nasci para voar
Se me prender vou escapar
Por maiores que sejam os teus grilhões
Levo no peito o brado dos leões
Lanças de gelo no meu sangue se incendeiam
Nos mares profundos viro sereia
Nem deserto me atinge
De certo me verás nalguma esfinge
Olhou para o sol e não me viu?
Olhe a lua e me verás
O ano inteiro, Janeiro, março e abril
Estou aqui, ali ... em todo lugar.

06 julho 2014

Sou?

Eu participo de alguns grupos no facebook e tem um grupo feminista que eu amo, então estava lá dando uma olhada, quando uma irmã disse que tinha escrito um poema para mim, então é claro que eu tinha postar no blog para vocês, o poema ficou lindo, muito obrigada Lunna <3

Sou?
"Lunna Marcela A.Campos"
Pecado, loucura e fé O caos que se instala na ordem Conflito eterno entre o ser E o descobrir “ser” Sou a mãe que embala o filho A louca que morde a carne Bruxa que ronda no escuro Donzela que não teme ao perigo Sou vadia, sou poeta, sou.. (como diz a musica) Eterna aprendiz Quem sabe um dia a melhor meretriz Filha da Deusa Enfrento trovões Com minha espada Derrubo facões A quem diga eu não sou nada Um par de peitos e uma bunda Sou muito mais Fogo, ar, terra e mar E nele tu te afundas ....

Meu primeiro Vlog | Treino da fé | Corrida de rua

Na sexta-feria santa rolou o treino da fé que é uma corrida de rua que vai de Perus até Pirapora do bom Jesus, como eu sou a pessoa mais at...